Paga Eu já nem me alimento mais de luz Pois na quebrada o poste apaga a toda hora E aos poucos vão me pregando na cruz Como se eu fosse filho de Nossa Senhora Cadê o brilho do amor que não reluz Do contrário se some e me ignora Sobra pimenta e sal no meu cuscuz E lá na rua o poste apaga a toda hora E a gente paga, paga, paga A duras penas pena, pena Que a luz do dia o nosso sonho apaga E a esperança muito ao longe acena A lua cheia volta e meia meio que chega E põe tenência meu tateado caminhar Ou no clarão dum tiroteio a minha nega Vê meu vulto derrapante a se abaixar Mas fritar ovos no meu peito de manteiga É esquecer que paciência tem limite Nem no jogo aposto mais que a sorte é cega E lá em casa a luz não vai nem pro palpite.